Avaliação e tratamento psicológico para pacientes candidatos à cirurgia bariátrica

Felipe Alckmin Carvalho

A cirurgia bariátrica (gastroplastia) é considerada uma etapa do processo de tratamento da obesidade severa. É recomendada para pacientes com IMC acima de 40 kg/m² ou com IMC entre 35 e 40 kg/m² com doenças associadas, como diabetes, hipertensão, apneia do sono, entre outras, que esteja obeso há pelo menos cinco anos e que já tenha tentado outras modalidades de tratamentos para emagrecimento sem sucesso (Segala & Fandiñob, 2002).

Trata-se de um procedimento que tem como objetivo a redução dos problemas físicos e psicológicos associados ao excesso de peso e a melhora da qualidade de vida do paciente (Carvalho, Pires Jesus-Rebelo, & Silva, 2013). No entanto, a cirurgia bariátrica apresenta riscos e pode produzir uma série de efeitos colaterais, inclusive de ordem psicológica (Oliveira, Linardi, & Azevedo, 2004). Por esse motivo, o acompanhamento do paciente, por um psicólogo especialista em transtornos alimentares e obesidade é fundamental (Franques & Arenales-Loli, 2006).

No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que o laudo psicológico é obrigatório para a realização da cirurgia bariátrica (Brasil, 2001). É obrigatória também a participação do Psicólogo Clínico na equipe multiprofissional em centros de referência em cirurgia bariátrica. O trabalho do psicólogo é realizado em duas etapas:

  • Avaliação pré-cirurgia: realizada para responder, entre outras, às seguintes perguntas: “o paciente entende o processo de cirurgia?; tem condições psicológicas de se submeter ao procedimento?; irá se beneficiar dele?; haverá complicações após a cirurgia associada a problemas psicológicos?”. Para a elaboração do relatório psicológico contendo indicação ou contra-indicação para a cirurgia bariátrica, são realizados de três a seis encontros, que envolvem a utilização de entrevista clínica e a utilização de testes e escalas de avaliação psicológica.
  • Acompanhamento pós-cirurgia: envolve psicoeducação, assimilação do processo de emagrecimento, desenvolvimento de repertório de autocontrole e autocuidado, e de novos comportamentos para lidar com as questões existenciais/conflitos sem a necessidade da ingestão excessiva de alimentos. A literatura científica na área de transtornos alimentares e obesidade aponta que pacientes que são acompanhados por psicólogos clínicos após a cirurgia bariátrica ampliam a probabilidade de perda e manutenção de peso saudável em longo prazo, bem como evitam desenvolvimento ou agravamento de problemas psicológicos e transtornos psiquiátricos (Oliveira & Yoshida, 2009). O acompanhamento é realizado período variável, a depender da demanda do paciente e da avaliação do psicólogo clínico.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n° 628/GM. Brasilia: 2001.
Carvalho, L. A., Pires, R. C. C. P., de Jesus Rebelo, T., & Silva, L. (2013). Qualidade de vida de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte/MG. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, 11(1), 195-205.
Franques, A. R. M., & Arenales-Loli, M. S. (2006). Contribuições da psicologia na cirurgia da obesidade. Vetor Editora.
Oliveira, J. H. A., & Yoshida, E. M. P. (2009). Avaliação psicológica de obesos grau III antes e depois de cirurgia bariátrica. Psicologia: Reflexão e Crítica, 22(1), 12-19.
Oliveira, V. M. D., Linardi, R. C., & Azevedo, A. P. D. (2004). Cirurgia bariátrica: aspectos psicológicos e psiquiátricos. Revista de Psiquiatria Clínica. 31(4), 199-201.
Segala, A., & Fandiñob, J. (2002). Indicações e contra-indicações para realização das operações bariátricas Bariatric surgery indications and contraindications. Revista Brasileira de Psiquiatria. 24(Supl III), 68-72.
Segala, A., & Fandiñob, J. (2002). Indicações e contra-indicações para realização das operações bariátricas Bariatric surgery indications and contraindications. Revista Brasileira de Psiquiatria. 24(Supl III), 68-72.