Obesidade

Felipe Alckmin-Carvalho

O que é?

A obesidade tem etiologia multifatorial, com participação de variáveis genéticas, culturais e psicológicas/comportamentais. Trata-se de um problema de saúde pública com taxas de prevalência crescentes nas últimas décadas. É caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo. Uma pessoa é considerada obesa quando tem um índice de massa corporal (IMC) superior a 30 kg/m². Na maioria dos casos, a obesidade desenvolve-se sem que uma doença primária seja identificada, ocorrendo um desequilíbrio do balanço entre a ingestão calórica e o gasto energético de um indivíduo.

A obesidade não é considerada um transtorno alimentar, e tampouco um transtorno psiquiátrico. Entretanto, diversos estudos, realizados em diferentes países, apontam a associação entre obesidade e problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e transtorno da compulsão alimentar (estes sim, transtornos psiquiátricos). Essa associação frequentemente se dá por conta do estigma cultural associado a obesidade, presente em países ocidentais industrializados na pós-modernidade. No entanto, Vasques, Martins & Azevedo (2004) apontam que as dificuldades emocionais podem preceder a condição de obesidade, e ter papel central em seu surgimento e manutenção.

Tratamento

O tratamento em psicoterapia tem como foco a compreensão da função da comida na vida da pessoa que busca tratamento, bem como o desenvolvimento de repertórios de autocontrole, autorregulação emocional, resiliência, resolução de problemas e de assertividade, habilidades socioemocionais que podem estar deficitários em pessoas com obesidade.

Estudos científicos apontam que as Terapias Cognitivo Comportamentais (TCC) se apresentam como uma alternativa eficaz no tratamento das dificuldades emocionais que podem estar presentes em pessoas com obesidade, facilitando a perda de peso (Duchesne et al., 2007). Mais recentemente pesquisadores têm destacado a eficácia da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e da Terapia Comportamental Dialética (TCD) no tratamento da obesidade (Carvalho, 2011, Nunes-Costa, Lamela, & Gil-Costa, 2009).

Referências

Carvalho, S. P. M. (2011). Validação dos Conceitos de Atenção Plena e Evitamento Experiencial segundo a Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT) na Explicação do Comportamento Alimentar: Indicações para o Tratamento da Obesidade (Doctoral dissertation, Universidade Católica Portuguesa).

Duchesne, M., Appolinário, J. C., Rangé, B. P., Freitas, S., Papelbaum, M., & Coutinho, W. (2007). Evidências sobre a terapia cognitivo-comportamental no tratamento de obesos com transtorno da compulsão alimentar periódica. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 29(1), 80-92.

Vasques, F., Martins, F. C., & Azevedo, A. D. (2004). Aspectos psiquiátricos do tratamento da obesidade. Revista de Psiquiatria Clínica, 31(4), 195-198.

Nunes-Costa, R. A., Lamela, D. J. P. V., & Gil-Costa, L. (2009). Teoria e eficácia da terapia comportamental dialética na bulimia nervosa e no transtorno da compulsão alimentar periódica. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 58(2), 122-7.